segunda-feira, 11 de junho de 2007

História da Igreja – Parte 1

Cristianismo e História
(texto extraído e adaptado da obra de Justo L. Gonzales, Uma História Ilustrada do Cristianismo)
Introdução
Em certo sentido, a história do cristianismo é uma autobiografia. Só que esta história, em vez de começar com o nosso nascimento, começa muitos séculos antes, e narra toda uma série de acontecimentos que, no final, seriam determinantes na nossa vida.
Assim, sem esses séculos passados de história, o nosso nascimento e a nossa vida como crentes iriam flutuar no vazio. Daí porque a importância de conhecermos essa história. A história do cristianismo é, portanto, a biografia do povo de Deus chamado igreja, onde a nossa fé foi formada e foi nutrida. Desta maneira, sem compreender a história do cristianismo, não podemos compreender a nós mesmos.
Portanto, nós não estamos aqui apenas com aquela curiosidade de conhecer os tempos passados que nunca voltarão, mas, isto SIM, estamos aqui com uma necessidade urgente de conhecer esses tempos passados que continuam ainda presentes em nós — limitando nossas opções, determinando nossas perspectivas, e assinalando o nosso caminho em direção ao futuro.
Neste sentido, reparem, desde as suas próprias origens, o cristianismo se inseriu na história humana. Na verdade, isso é o próprio Evangelho, ou seja, as boas novas de que, em Jesus Cristo, Deus se introduziu na nossa história, em favor da nossa redenção.
Os autores bíblicos não deixam lugar a dúvidas a respeito dis¬to. O Evangelho de Lucas, por exemplo, nos diz que o nascimento de Jesus teve lugar na época de César Augusto, e "sendo Quirino, governador da Síria" (Lc 2:2). Pouco antes, o mesmo evan¬gelista coloca sua narração dentro do marco da história da Pales¬tina, dizendo-nos que estes fatos sucederam "nos dias de Herodes, rei da Judéia" (Lc 1:5).
O Evangelho de Mateus começa com uma genealogia que enquadra Jesus dentro da história e das esperanças do povo de Israel, e quase imediata¬mente nos diz também que Jesus nasceu "nos dias do rei Herodes" (Mt 2:1).
Marcos nos dá menos detalhes, mas não dei¬xa de assinalar que seu livro trata do que "aconteceu naqueles dias" (Mc 1:9). O Evangelho de João assegura que todas estas narrativas não têm unicamente interesse transitório, e por isso começa afirmando que o Verbo que foi feito carne no decurso da história humana (Jo 1:14) é o mesmo que "estava no princípio com Deus" (Jo 1:2).
Mas, depois de tudo, o restante destes evangelhos se apre¬senta como uma narrativa da vida de Jesus. Por último, um inte¬resse semelhante podemos ver na Primeira Epístola de João, cujas primeiras linhas declaram que "o que era desde o princí¬pio" é também "o que temos ouvido, o que temos visto com nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos apalparam" (l Jo 1:1).
Além disso, esta importância da história para compreender o sentido da nossa fé não se limita à vida de Jesus, mas engloba toda a mensagem bíblica.
No AT, boa parte do texto sagrado é de caráter histórico. Não só os livros que geralmente chamamos "históricos", mas também os livros da Lei – como por exemplo, Génesis e Êxodo — e os livros dos profetas nos narram uma história em que Deus se revelou ao seu povo. Ou seja, se não conhecermos esta his¬tória, é impossível conhecer a própria revelação de Deus.
Igualmente, no NT encontramos o mesmo inte¬resse pela história. Lucas, depois de completar seu evangelho, prosseguiu narrando a história da igreja cristã no livro de Atos. Lucas não fez isso por simples curiosidade pelas coisas antigas. Não! Ele fez isso, principalmente, por fortes razões teológicas.
De acordo com o NT, a presença de Deus entre nós não ter¬minou com a ascensão de Jesus. Ao contrário, o próprio Senhor Jesus prometeu aos seus discípulos que não os deixaria sós, mas que lhes enviaria outro Consolador (Jo 14:16-26).
E, no princípio do livro de Atos, imediatamente antes da ascensão, Jesus lhes disse que receberiam o poder do Espírito Santo, e que em vir¬tude disso seriam suas testemunhas "até aos confins da terra" (At 1:8).
A vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecoste, marca, portanto, o começo da vida da igreja. Assim, o que Lucas está narrando, no livro que chamamos "Atos dos Apóstolos", não é apenas os atos dos apóstolos, mas principalmente os atos do Espírito Santo através dos apóstolos.
Lucas escreve então dois livros, o pri¬meiro sobre os atos de Jesus Cristo e o segundo sobre os atos do Espírito Santo. O segundo livro, entretanto, quase parece ter ficado incompleto. No final de Atos, Paulo está ainda pregando em Roma, e o livro não nos diz o que aconteceu com ele ou com o resto da igreja. E isso tinha de ser assim, porque a história que Lucas está narrando, necessariamente, não há de ter um fi¬nal até que o Senhor venha.
Naturalmente, isso não quer dizer que toda a história da igreja tenha o mesmo valor e a mesma autoridade que o livro de Atos. Ao contrário, a igreja sempre creu que o Novo Testamen¬to e a era apostólica têm uma autoridade única.
Entretanto, do ponto de vista da fé, a história da igreja, ou do cristianismo, é muito mais que a história de uma instituição, ou de um movimento qualquer. A história do cristianismo é a história dos atos do Es¬pírito Santo entre os homens e as mulheres que nos precederam na fé.
Às vezes, no desenrrolar desta história haverá momentos em que é difícil para nós ver a ação do Espírito Santo. Ao estudarmos essa história, encontraremos, sempre, pessoas que se utili¬zam da fé da igreja para enriquecimento pessoal, ou para engrandecer o seu poder político.
Ao estudarmos essa historia, encontraremos, sempre também, pessoas que se esqueceram do manda¬mento do amor e perseguiram os seus inimigos com uma fúria indigna do nome de Cristo.
Em alguns períodos dessa história, parecerá que toda a igreja abandonou por completo a fé bíblica, e teremos que nos perguntar até que ponto tal igreja pode verdadeiramente ser chamada de cristã.
Em tais momentos, talvez nos convenha recor¬dar dois pontos importantes:
O 1º destes pontos é que a história que estamos narrando é SIM a história dos feitos do Espírito Santo, mas é, ao mesmo tempo, a história desses atos entre pessoas pecadoras como nós.
Podemos ver isso já no Novo Testamento, onde Pedro, Paulo e os de¬mais apóstolos são apresentados, ao mesmo tempo, como pes¬soas de fé e pecadores miseráveis. E, se esse exemplo não nos basta, olhemos para os "santos" de Corinto a quem Paulo dirige sua primeira epístola.
O 2º ponto que devemos recordar é que foi precisa¬mente através desses pecadores e dessa igreja, que aparece às vezes como totalmente descarrilhada, que o evangelho chegou até nós. Ou seja, através dos séculos mais escuros da vida da igreja, nunca faltaram cristãos que amaram, estudaram, conservaram e copiaram as Escrituras e, desse modo, as fizeram chegar aos nossos dias.
Além disso, segundo o que iremos ver no curso des¬ta história, nosso próprio modo de interpretar as Escrituras NÃO deixa de manifestar o impacto dessas gerações anteriores. Nós também somos parte dessa história, parte desses atos do Espírito Santo.

6 comentários:

Pastor Welinton disse...

Parabéns Reverendo, pelo blog, está me ajudando bastante a fazer minha validação de créditos em teologia, que o Senhor Deus abençoe o irmão.
Pastor Welinton da IPB de Turvo-PR

PASTOR EDNALDO BREVES disse...

Obrigado por este belíssimo trabalho. Tambem estou sendo abençoado com esta material no curso de integralização em teologia.

Deus o abençoe poderosamente.

Pr. Ednaldo Breves
Igreja Metodista em S. Pedro - Barra Mansa - RJ

PASTOR EDNALDO BREVES disse...

Obrigado por este belíssimo trabalho. Tambem estou sendo abençoado com esta material no curso de integralização em teologia.

Deus o abençoe poderosamente.

Pr. Ednaldo Breves
Igreja Metodista em S. Pedro - Barra Mansa - RJ

Ricardo Bezerra disse...

Reve. Pastor gostaria de fazer uma pergunda a historia da igreja nao começo com atos dos APOSTOLOS? FICOU OTIMO O ARTIGO MAS , É BOM REVE-LO.


RICARDO

Ricardo Bezerra disse...

Reve. Pastor gostaria de fazer uma pergunda a historia da igreja nao começo com atos dos APOSTOLOS? FICOU OTIMO O ARTIGO MAS , É BOM REVE-LO.


RICARDO

Márcia D. Rebouças disse...

Paz de Cristo,

Quero parabeniza-lo também pelo artigo que me ajudou muito com a questão do módulo de teologia sobre "A história da Igreja" .

Deus abençoe,

Assembleia de Deus - Missão - Candeias-Ba