sexta-feira, 29 de junho de 2007

História da Igreja - 20

A Era dos Reformadores
Parte 7
JOÃO CALVINO
Sem dúvida, o mais importante sistematizador da teologia protestante no século XVI foi João Calvino. Enquanto Lutero foi o espírito fogoso e propulsor do novo movimento, Calvino foi o pensador cuidadoso que forjou, das diversas doutrinas protestantes, um todo coerente. Além disso, para Lutero sua busca tormentosa da salvação e sua descoberta da justificação pela fé foram tais que sempre dominaram toda sua teologia. Calvino, como homem da segunda geração, não permitiu que a doutrina da justificação eclipsasse o restante da teologia cristã e, por isso, deu maior atenção a aspectos do cristianismo que foram postergados por Lutero: em particular, a doutrina da santificação.

A formação de Calvino
Calvino nasceu na pequena cidade de Noyon, na França, em 10 de julho de 1509, quando Lutero já havia ditado suas primeiras conferências na universidade de Wittenberg. Seu pai pertencia à classe média da cidade e trabalhava, principalmente, como secretário do bispo e procurador da biblioteca da catedral. Fazendo uso de tais conexões, procurou para seu filho João os benefícios eclesiásticos com os quais custeasse seus estudos.
Com esses recursos, o jovem Calvino foi estudar em Paris, onde conheceu tanto o humanismo como a reação conservadora que se lhe opunha. A discussão teológica que tinha lugar nos seus dias levou-o a conhecer as doutrinas de Wyclif, Huss e Lutero. Porém, segundo ele mesmo disse: "estava obstinadamente atado às superstições do papado". Em 1529, completou seus estudos em Paris, ao obter o grau de Mestre em Artes, e decidiu dedicar-se à jurisprudência. Com esse propósito, continuou seus estudos em Orleans e em Bourges, sob a orientação dos dois mais célebres juristas daquela época: Pierre de l'Estoile e Andrea Alciati. O primeiro seguia os métodos tradicionais no estudo e na interpretação das leis, enquanto o segundo era um humanista elegante e talvez algo vaidoso. Quando houve um debate entre ambos, Calvino interveio em favor do primeiro. Isto é importante porque indica que, ainda nesses tempos em que começava a desejar cultivar um espírito humanista, Calvino não sentia simpatias pela elegância vã de que frequentemente se viam possuídos alguns dos mais famosos humanistas.
Contudo, apesar de seu conflito com Alciati, Calvino estava disposto a seguir o caminho dos humanistas. Logo se uniu a um pequeno círculo de estudiosos e admiradores de Erasmo e se dedicou aos estudos humanistas. Logo, ainda que recebesse sua licença para praticar a advocacia em 1530, sua principal ocupação durante os anos seguintes parece ter sido a preparação de um comentário sobre a obra de Sêneca, De clementia. Este comentário, publicado em 1532, foi relativamente bem recebido, embora não colocasse seu autor entre os mais ilustres humanistas.

A Conversão
Não se sabe o motivo certo que levou Calvino a abandonar a fé romana, nem a data exata em que isso ocorreu. Diferentemente de Lutero, Calvino nos diz muito pouco sobre o estado interior de sua alma. Todavia, o mais provável parece ser que, no meio do círculo de humanistas que frequentava e através de seus estudos das Escrituras e da antiguidade cristã, Calvino chegou à convicção de que teria de abandonar a comunhão romana e seguir o caminho dos protestantes.
Em 1534, se apresentou em sua cidade natal de Noyon e renunciou aos benefícios eclesiásticos que seu pai havia conseguido e que eram a sua principal fonte de sustento econômico. Se ele já estava decidido, nesse momento, a abandonar a igreja romana, ou se esse ato foi simplesmente um passo a mais na sua peregrinação espiritual, nos é impossível saber. O fato é que em outubro de 1534, Francisco I, até então relativamente tolerante com os protestantes, mudou sua política e, em janeiro do ano seguinte, Calvino se exilava na cidade protestante de Basileia.

As Institutas da Religião Cristã
Calvino sentia-se chamado a dedicar-se ao estudo e às obras literárias. Seu propósito não era de modo algum chegar a ser um dos líderes da Reforma, mas sim encontrar um lugar tranquilo onde pudesse estudar as Escrituras e escrever sobre a nova fé. Pouco antes de chegar a Basileia, havia escrito um breve tratado sobre o estado das almas dos mortos antes da ressurreição. Segundo ele encarava sua própria vocação, sua tarefa consistiria em escrever outros tratados como esse, que serviriam para aclarar a fé da igreja numa época de tanta confusão.
Portanto, seu principal projeto era um breve resumo da fé cristã do ponto de vista protestante. Até então, quase toda literatura protestante, chegava pela urgência da polêmica, e assim tratava somente dos pontos em discussão, e havia dito pouca coisa sobre outras doutrinas fundamentais do cristianismo, como por exemplo a Trindade, a Encarnação, e outras. O que Calvino se propunha então era cobrir esse vazio com um breve manual ao qual deu o título de Institutas da Religião Cristã..
A primeira edição surgiu em Basileia, no ano de 1536. Era um livro de 516 páginas, porém de formato pequeno, de modo que cabia facilmente nos amplos bolsos que se usavam antigamente, e podia, assim, circular dissimuladamente pela França. Constava de apenas seis capítulos. Os primeiros quatro tratavam sobre a lei, o Credo, o Pai Nosso e os sacramentos. Os últimos dois, de tom mais polêmico, resumiam a posição protestante com respeito aos "falsos sacramentos" romanos e a liberdade cristã.
O êxito desta obra foi imediato e surpreendente. Em nove meses se esgotou a edição, que, por estar em latim, era acessível a leitores de diversas nacionalidades.
A partir de então Calvino continuou preparando edições sucessivas das Institutas que foi crescendo segundo iam pas¬sando os anos. As diversas polêmicas da época, as opiniões de vários grupos que Calvino considerava errados e as necessi¬dades práticas da igreja, foram contribuindo para o crescimento da obra, de tal maneira que para seguirmos o curso do desenvolvimento teológico de Calvino e das polêmicas em que se envolveu, bastaria comparar as edições sucessivas das Instituías. Visto que não podemos fazer tal coisa aqui, nos limitaremos a fazer constar as datas e os idiomas em que as diversas edições surgiram durante a vida de Calvino, terminando com um breve resumo da última edição.
Após a edição de 1536, em latim, surgiu em Estrasburgo a edição de 1539, no mesmo idioma. Em 1541, Calvino publicou em Genebra a primeira edição francesa, que é uma obra mestra da literatura nesse idioma. A partir de então, as edições surgiram em pares, uma latina seguida de sua versão francesa, como segue: 1543 e 1545, 1550 e 1551, 1559 e 1560. Visto que as edições latina e francesa de 1559 e 1560 foram as últimas produzidas durante a vida de Calvino, são elas as que nos dão o texto definitivo das Institutas.
Esse texto definitivo dista muito de ser o pequeno manual de doutrina que Calvino tinha tido em mente publicar quando da primeira edição, pois os seis capítulos de 1536 se haviam transformado em quatro livros com um total de oitenta capítulos. O primeiro livro trata sobre Deus e sua revelação, assim como da criação e da natureza do ser humano, porém sem Incluir a queda e a salvação. O segundo livro trata sobre Deus como redentor e o modo em que se nos dá a conhecer, primeiramente, no Antigo Testamento, e depois em Jesus Cristo.
O terceiro livro trata sobre como, pelo Espírito, podemos participar da graça de Jesus Cristo e dos frutos que ele produz. Por último, o quarto livro trata dos "meios externos" para essa participação, isto é, fala-nos sobre a igreja e os sacramentos. Por toda obra se manifesta um conhecimento profundo, não só das Escrituras, mas também de antigos escritores cristãos, particularmente Santo Agostinho, e as controvérsias teológicas do século XVI. Sem dúvida alguma, esta foi a obra-prima de teologia sistemática protestante em todo aquele século.

O Reformador de Genebra
Calvino não tinha a menor intenção de dedicar-se à vida ativa de seus muitos correligionários que em diversas partes levaram a cabo a obra reformadora. Mesmo que sentisse para com eles profundo respeito e admiração, estava convencido de que seus dons não eram os de pastor, ou um "cabo de guerra", mas sim os de estudioso e de escritor.
Depois de uma breve visita a Ferrara, e outra à França, decidiu estabelecer seu domicílio em Estrasburgo, onde a causa reformadora havia triunfado e onde havia uma grande atividade teológica e literária que lhe parecia oferecer um ambiente propício para seus trabalhos.
Mas o caminho mais direto para Estrasburgo estava fechado por razões de uma guerra, e Calvino teve que se desviar e passar por Genebra. A situação nessa cidade era confusa. Algum tempo antes, a cidade protestante de Berna havia envia¬do missionários a Genebra, e estes tinham conseguido o apoio de um pequeno núcleo de leigos instruídos que ansiavam pela reforma da igreja e de um forte contingente de burgueses cujo principal desejo parece ter sido o de ganhar certas vantagens e liberdades que não tinham sob o regime católico. O clero, em geral de escassa instrução e menor convicção, simplesmente havia seguido ordens do governo de Genebra quando este decidiu abolir a missa e optar pelo protestantismo. Isto tinha ocorrido poucos meses antes da chegada de Calvino a Genebra e, portanto, os missionários procedentes de Berna, cujo chefe era Guilherme Farei, se encontravam à frente da vida religiosa de toda uma cidade e carentes de pessoal necessário.
Calvino chegou a Genebra com a intenção de não passar ali mais que um dia e prosseguir seu caminho para Estrasburgo. Porém alguém avisou a Farei que o autor das Instituías se encontrava na cidade, e assim se produziu uma entrevista inolvidável, que o próprio Calvino nos conta.
Farei, que "ardia com um maravilhoso zelo pelo avanço do evangelho", apresentou a Calvino várias razões pelas quais precisava de sua presença em Genebra. Calvino escutou atentamente seu interlocutor, uns quinze anos mais velho que ele, porém se negou a aceitar seu rogo, dizendo-lhe que tinha projetado certos estudos e que não lhe seria possível terminá-los na situação em que Farei descrevia. Quando por fim, Farei tinha esgotado todos seus argumentos, sem conseguir convencer ao jovem teólogo, apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo com voz estridente: "Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda".
Diante de tal imprecação, nos conta Calvino: "essas palavras me espantaram e me quebrantaram e desisti da viagem que tinha empreendido". E assim começou a carreira de João Calvino como reformador de Genebra.
Mesmo que de início Calvino aceitasse simplesmente permanecer na cidade e colaborar com Farei, logo sua habilidade teológica, seu conhecimento da jurisprudência e seu zelo refor¬mador fizeram dele o personagem central da vida religiosa da cidade, enquanto Farei, gostosamente, se tornava um seu colaborador. Porém nem todos estavam dispostos a seguir o caminho da reforma que Calvino e Farei haviam traçado. E quando começaram a exigir que se seguissem verdadeiramente os princípios protestantes, muitos dos burgueses que haviam apoiado a ruptura com Roma começaram a oferecer-lhes resistência, ao mesmo tempo que faziam chegar a outras cidades protestantes da Suíça rumores sobre supostos erros dos reformadores genebrinos. O conflito se travou finalmente em torno do assunto do direito da excomunhão. Calvino insistia em que, para que a vida religiosa se conformasse verdadeiramente aos princípios reformadores, era necessário excomungar os pecadores impenitentes. Diante do que pareceu um rigor excessivo, o governo da cidade se negou a seguir os conselhos de Calvino. Posteriormente, o conflito foi tal que Calvino foi desterrado. O fiel Farei, que poderia permanecer na cidade, escolheu antes o exílio que tornar-se um instrumento dos burgueses que queriam uma religião com toda sorte de liberdade e poucas obrigações.
Calvino viu nisso tudo uma porta que o céu lhe abria para continuar sua vida de estudos e retiro, que havia projetado, e se dirigiu a Estrasburgo. Porém nessa cidade o chefe do movimento reformador, Martinho Bucero, também não o deixou em paz. Havia ali um forte contingente de fraceses, exilados por motivos religiosos, carentes de direção pastoral, e Bucero fez com que Calvino se encarregasse deles. Foi aí então que o nosso teólogo produziu uma liturgia francesa e traduziu vários salmos e outros hinos, para que fossem cantados pelos franceses exilados. Além disso, produziu a segunda edição das Institutas, e se casou com a viúva Idelette de Bure, com quem foi feliz até que a morte a levou em 1549.
Os três anos que Calvino passou em Estrasburgo foram provavelmente os mais felizes e tranquilos de sua vida. Porém, apesar disso, lhe doía sempre não ter podido continuar a obra reformadora em Genebra, por cuja igreja sentia um grande amor e responsabilidade. Portanto, quando as circunstâncias mudaram na cidade suíça e o governo o convidou a regressar, Calvino não vacilou e, uma vez mais, ficou com a responsabilidade da obra reformadora em Genebra.
Foi em meados de 1541 que Calvino regressou a Genebra. Uma de suas primeiras ações foi redigir as Ordenanças Eclesiásticas, que foram aprovadas poucos meses depois pelo governador da cidade, se bem que com algumas emendas. Segundo se estabelecia nelas, o governo da igreja ficava, principalmente, nas mãos do Consistório, que era formado pelos pastores e por doze leigos que recebiam o nome de "anciãos". Visto que os pastores eram cinco, os leigos eram a maioria no Consistório. Entretanto, apesar disso, o impacto pessoal de Calvino era tal que quase sempre esse corpo seguia suas orientações e seus desejos.
Durante os próximos doze anos, houve conflitos repetidos entre o Consistório e o governo da cidade, pois o corpo eclesiástico, seguindo a inspiração de Calvino, tratava de regular os costumes com uma severidade que nem sempre era do agrado do governo. Em 1553, a oposição tinha voltado a ganhar as eleições, e a situação política de Calvino era precária. Foi então que começou o famoso processo de Miguel Servetto. Este era um médico espanhol, autor de vários livros de teologia, que estava convencido de que a união da igreja com o estado a partir de Constantino tinha se constituído numa grande apostasia, e que o Concílio de Nicéia, ao promulgar a doutrina da Trindade, havia ofendido a Deus. Servetto acabava de escapar dos cárceres da inquisição católica na França, onde corria contra ele um processo de heresia e se viu obrigado a passar por Genebra, onde foi reconhecido quando foi escutar Calvino pregar. Foi arrastado, e Calvino preparou uma lista de trinta e oito acusações contra ele. Visto que Servetto era um erudito, e além do mais tinha sido acusado de heresia pelos católicos, o partido que se opunha a Calvino em Genebra adotou sua causa. Porém, o governo da cidade pediu conselho às regiões protestantes da Suíça e todos concordaram que Servetto era herege. Isso calou a oposição, e resolveram condenar Servetto a ser queimado vivo, mas Calvino tratou de mudar essa condenação, transformando-a na de decapitação, por ser uma pena menos cruel.
A morte de Servetto foi duramente criticada, principalmente por Sebastião Castellon, a quem Calvino tinha feito expulsar da cidade por interpretar o Cântico dos Cânticos como um poema de amor. A partir de então esse incidente se tornou o símbolo do dogmatismo rígido que reinava na Genebra de Calvino. E não há dúvida de que há muito de verdade nisso. Contudo, não se deve esquecer que naquela época e em diversas partes da Europa, tanto católicos como protestantes estavam procedendo de maneira semelhante contra aqueles que eram considerados hereges. O próprio Servetto foi condenado à fogueira pela inquisição francesa, que não pôde levar a cabo sua sentença por causa da fuga do réu.
Em todo caso, depois da execução de Servetto, a autoridade de Calvino em Genebra não teve rival, sobretudo porque os teólogos de todas as demais regiões da Suíça protestante lhe tinham dado apoio, ao mesmo tempo em que seus opositores se colocaram na difícil situação de defender um herege condenado tanto pelos católicos como pelos protestantes da Suíça.
Em 1559, Calvino viu cumprir-se um dos seus sonhos, ao ser fundada a Academia de Genebra, sob a direção de Teodoro de Beza, que depois sucedeu Calvino como chefe religioso da cidade. Naquela academia, se formou a juventude genebrina segundo os princípios calvinistas. Mas seu principal impacto se deve a que nela cursaram estudos superiores pessoas procedentes de vários outros países, que depois levaram o calvinismo a eles.
Pelo fim de seus dias, Calvino preparou seu testamento e se despediu de seus colaboradores. Farei, que havia se dedicado a prosseguir a obra reformadora em Neuchâtel, foi ver seu amigo pela última vez. Calvino morreu em 27 de maio de 1564.

Calvino e o Calvinismo
Durante a vida de Calvino, a principal questão teológica que dividia os protestantes (é claro sem se contar os anabatistas) era a da presença de Cristo na comunhão, que segundo temos visto foi a principal causa de desavença entre Lutero e Zwínglio. Nesse ponto, Calvino seguiu o exemplo de seu amigo Bucero, o reformador de Estrasburgo, que tomava uma posição intermediária entre Lutero e Zwínglio. Para Calvino, a presença de Cristo na comunhão é real, porém espiritual. Isto quer dizer que não se trata de um mero símbolo, ou de um exercício de devoção, mas que na comunhão há uma verdadeira ação por parte de Deus em benefício da igreja que participa dela. Porém, ao mesmo tempo, isso não quer dizer que o corpo de Cristo desça do céu, nem que está presente em vários altares ao mesmo tempo, como pretendia Lutero. O que sucede é que, no ato da comunhão, pelo poder do Espírito Santo, os crentes são levados ao céu, e participam com Cristo de uma antecipação do banquete celestial.
Em 1536, Buceto, Lutero e outros chegaram a Concórdia de Wittemberg, um documento que conseguiu salvar as diferenças entre ambas as posições. Em 1549, Bucero, Calvino, os principais teólogos protestantes suíços e vários outros do sul da Alemanha, firmaram o Consenso de Zurich, outro documento semelhante. Além disso, Lutero havia dado boa acolhida às Instituías de Calvino. Portanto, as diferenças entre os diversos reformadores com relação ao significado da comunhão não pareciam ser insolúveis.
Entretanto, os seguidores dos grandes mestres estavam dispostos a mostrarem-se mais extremados que eles mesmos. Em 1552, o luterano Joaquim Westphal publicou um ataque contra Calvino, onde dizia que o calvinismo estava se introduzindo sub-repticiamente nos territórios luteranos e se declarava campeão da posição de Lutero com respeito a comunhão. Lutero já havia morrido, e Melanchthon se negou a atacar Calvino, como era o desejo de Westphal. Porém, o resultado disso tudo foi o distanciamento cada vez maior entre os que seguiam Lutero e os que aceitavam o Consenso de Zurich que, a partir de 1580, receberam o nome de "reformados".
Portanto, durante este primeiro período, a marca característica dos "calvinistas" ou "reformados" não era sua doutrina da predestinação, mas sua opinião com respeito à comunhão. Só mais tarde, segundo veremos noutra parte dessa história, a doutrina da predestinação veio a ser característica distintiva do calvinismo. Enquanto vivos não havia essa divisão, pois tanto Lutero quanto Calvino afirmavam a predestinação.
Em todo caso, devido em parte à Academia de Genebra e em parte às Instituías da Religião Cristã, a influência de Calvino logo se fez sentir em diversas partes da Europa, e, mais tarde, surgiram várias igrejas — na Holanda, Escócia, Hungria, França, e outros lugares. — que seguiriam as doutrinas do reformador de Genebra e que se conhecem como "reformadas" ou "calvinistas".
Por último, devemos men¬cionar que alguns historiadores e economistas têm assinalado a existência de uma relação entre o calvinismo e as origens do capitalismo. Alguns têm tratado de provar que o calvinismo foi o espírito propulsor do capitalismo. Porém, o mais correto parece ser que ambos os movimentos começaram a ganhar impulso na mesma época e que, logo depois, se aliaram. Seguindo o curso do calvinismo em diversos países, veremos algo dessa aliança e os seus resultados.

Um comentário:

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